Publicado por: lesbianornot | Setembro 26, 2008

Referendar o casamento entre homossexuais?

Vejam as opiniões dos nossos condidadãos. Ontem, por curiosidade, li que um conjunto de investigadores de uma qualquer universidade, chegou à conclusão que são os índividuos mais medrosos (sujeitaram-nos a uma série de experiências assustadores com o intuito de analisarem as suas reacções), os que revelam ideias mais conservadores e tendencialmente de direita, além de que, como seria de esperar, são contra os homossexuais. Mas afinal, o que seria de esperar? Quem é verdadeiramente pluralista, aberto, liberal, seguro de si, com qualidades “humanas”, empático, etc, alguma vez tem medo dos homossexuais ou do seu casamento?

http://diario.iol.pt/comentarios/forum/homossexuais-ps-psd-parlamento-mota-pinto/994420-4150.html

 

Deixei lá a minha opinião..

REFERENDAR? COMO?

Já agora não querem também referendar a violação de mulheres, os maus tratos de crianças, referendar o direito de voto das mulheres, referendar a abolição da escravatura, referendar a assumpção de que todos os indivíduos são iguais perante a lei? Como é absurdo esse pensamento! A liberdade de escolher com quem se vive e com quem se deita é porventura uma liberdade que coarta outras liberdades individuais? Se Deus nos fez homossexuais e heterossexuais fê-lo na sua infinita sabedoria. Quem vem com os argumentos ridículos da procriação, porventura não sabe que ser homossexual não é sinónimo de esterilidade? Não se informaram também o suficiente para compreender que uma grande maioria de homossexuais têm filhos de ex-casamentos ou decidiram ter filhos já no seio de uma relação homo? que uma criança tem condições para crescer de forma equilibrada no seio de uma família homossexual que a trate com amor e respeito? que o maior factor de desastabilização sobre a mesma, são os preconceitos que os “outros” heterosexistas lhes dirigem? Supostamente os unicos que se interessam pelo interesse da criança, são os seus algozes!!! Há coisas inreferendáveis porque simplesmente ninguém pode decidir como outro se relaciona no seu plano amoroso e sentimental e sexual! Há só que reconhecer a realidade e corrigi-la de acordo com a Constituição! Há coisas mais importantes do que esta? Equiparar todos os indivíduos perante a lei. Fazer cumprir a Constituição!!!!
DAR ACRESCENTA E NÃO SUBTRAI
É sinónimo de uma tacanhice embrutecida, ser contra o reconhecimento de um direito fundamental de indivíduos que pagam os seus impostos e que, supostamente, são reconhecidos, perante a lei, como iguais. Trata-se de garantir que, através do vínculo afectivo que liga duas pessoas, o estado proporciona o acesso a um regime que regula a partilha de bens, a protecção de casa comum, a assistência à família, etc, etc. Não se trata da consumação de um sacramento, pois o casamento não é necessáriamente religioso, mas civil. Depois cada religião entenderá sacramentar o laço ou não. As pessoas que entendem que conceder direitos a outros, lhes subtrai algo, devem pensar que o mundo é o seu clube de elite, e que eles estão entre essa elite! Dar nunca subtrai, só acrescenta.
E a carta de um amigo meu ao parlamento
Exmos. Srs. Deputados:
Dirijo-me ao vosso grupo parlamentar depois de ter lido no jornal online Correio da Manhã, a hipótese da realização de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aventada pelo Exmo. Sr. Deputado, vice-presidente do PSD, Paulo Mota Pinto.
Um dos conceitos mais básicos da democracia veicula que os direitos das minorias não podem nunca ser referendados sob pena de se perpetuarem as desigualdades entre cidadãos de um mesmo estado de direito.Este deve sempre prover ao bem-estar de todos, mesmo daqueles que pertencem às ditas minorias.
Poupo-vos a exemplos já que, sem dúvida alguma, V. Exas. estão, bem melhor do que eu, esclarecidas nos fundamentos de uma democracia.
Assim, creio que esta hipótese de proposta de referendo não só é uma falsa questão como é, a meu ver, perfeitamente demagógica: V. Exas. sabem bem que, ao propor um referendo, estão a afastar de vós a responsabilidade da aprovação ou não dessa mesma alteração à lei e, consequentemente, do acabar de uma desigualdade de direitos que fere profundamente a nossa constituição.
Não pude deixar de utilizar este meio para expressar a minha insatisfação face a esta vossa tomada de posição. Como homem, como português e como simpatizante de um ideal social-democrático, não consigo compreender o porquê desta vossa atitude.
Resta-me apenas dizer que o que me move a expressar a minha indignação não é nenhum motivo de orientação sexual, já que sou heterossexual. O que me move, repito, é o facto de ser cidadão português e considerar que todos os meus concidadãos, todos eles sem excepção, devem ser iguais em direitos e deveres.
Quero crer que vivo num país democrático.
Certo da vossa atenção,

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