Publicado por: lesbianornot | Setembro 8, 2008

Sensibilidade à Rejeição e outros

 

Existe um fenómeno a que os psicólogos chamam “sensiblidade à rejeição” e deriva do estado que nos leva a afirmar “estou loucamente apaixonada”. Quando estamos neste estado, desenvolvemos, por vezes, um tipo de ansiedade provocada pelo medo de rejeição, o que resulta numa espécie de paixão paranóica.

Ou seja, colocamo-nos constantemente em guarda, à procura do menor indício do início do fim. Por outro lado, reagimos intensamente quando percepcionamos que a chama fraqueja. Isto é uma manifestação da adolescência tardia e tem por base a atitude dos nossos dias que confunde viver intensamente com amar loucamente todos os dias da nossa vida.

Acho que em alguns momentos fui vítima de mim própria. Evidentemente que não sou a única. Importante é tomar consciência a tempo, deste fenómeno, e entender como ele pode destruir uma relação. Por outro lado, entender em que medida o outro é também vitíma dessa adolescência tardia.

Mas é sabido, e todas nós sabemos, que o amor tem duas fases (pelo menos) e o amor do tipo apaixonado é sempre temporário. Sempre.

Quem, como eu, já viveu um casamento homossexual, assumido perante a família e outros terceiros, com IRS/união de facto implícita, etc, sabe que os fios que nos seguram, passam muitas vezes por fenómenos externos: a pressão familiar, os compromissos conjuntos, os sonhos por concretizar, a noção de que há outros aspectos positivos de cumplicidade e de conquistas alcançadas, a estabilidade de uma criança, etc; são estes aspectos que se interpõem à decisão de procurar a satisfação imediata dos sentidos, que um novo amor proporciona.

E digo: ainda bem que assim é.

É que o amor da fase tipo dois, digamos assim, mais consciente, mais assente na partilha, na cumplicidade e amizade, permite-nos um estar mais sereno e uma sensação de pertença a uma família, a um lugar, que é o melhor estado que se pode aproximar da felicidade. Infelizmente, nos casais homossexuais, não estão presentes muitas dessas amarras e a separação por motivos fúteis, torna-se mais comum.

É necessário aprender a amar e para isso é requerida muita paciência.

Estar numa relação de mútua dependência, do género, eu necessito de ti e contigo posso ser vulnerável e vice versa, conjugado com uma relação física de amor impetuoso que tenha formas de se auto-renovar….dá trabalho mas proporciona mais satisfação pessoal que ser rico ou ter sucesso profissional.

Ontem estive com a minha amiga de longos anos.

A E. era alguém, como eu, com um forte espírito independente e quem eu nunca imaginaria ser dona de casa ou mãe devotada. Apesar do seu espírito livre e mente rebelde, foi e é alguém que apresenta um predicado essencial (do meu ponto de vista): dedicação aos seus – é o carinho que coloca ao cuidar da avó, dos pais e da filha, que lhe confere  a maior qualidade humana e por esse motivo tem a minha admiração.

Dizia ela a propósito da sua relação falhada após longos anos: que não entende como estando presente uma criança, o seu parceiro não foi capaz de olhar para trás (para tudo de bom que tinham vivido), e tentar reconstruir a relação. É que a sua ambição profissional e o seu egoísmo enquanto pessoa, não lhe permitiram deter-se um pouco na relação e na família…

Afinal vivemos tempos assim, de consumo rápido. Queremos encontrar a chama que nos acende o rastilho e não estamos disponíveis para deixar que a chama se espraie em nós, lambendo com seu calor o nosso corpo e nossa alma. Para que isso suceda temos que PARAR, respirar fundo, dizer: tem calma, na certeza porém de que a seguir à tempestade, vem muitas vezes a bonança. Há que ter calma.

Como podemos fazer da procura daquele ser iluminado um aspecto essencial das nossas vidas, onde colocamos tantas energias e expectactivas e depois depreender que iremos permanecer nesse estado de eterna paixão para toda a vida? É como estar em orgasmo permanente….por amor de Deus, não há ” cu que aguente”, certo ;)?

Mas de vez em quando é bom, ein;)? ai ai…é de tirar o fôlego, não ?(tiraram a Alice e Papi, então vai outro….):

http://www.youtube.com/watch?v=PTSOWAhmxqs

Dancemos em honra à paixão!

http://www.youtube.com/watch?v=iKGLauQlz0o


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