Publicado por: lesbianornot | Agosto 15, 2008

Eu sei

Tento criar dentro de mim o silêncio que se impõe, mas a algaraviada das coisas por dizer, o gume das facas cortantes a rasgar a carne, torna-se insuportávelmente presente.

Sinto-me desacreditada e o descrédito do amor impõe-se mais uma vez na minha vida. Não sei se a Fénix tem asas ou se está derrubada de vez.

Tenho uma filha. Sim, Graças a Deus, que a Vida ma conserve por muito tempo, para além do meu Tempo.

Pode uma criança ser o motivo de um desencontro? Não acredito. Acredito mais na textura falsa dos encontros e do fel escondido nas palavras macias. No rancor. Na falta de perdão, na falta de envolvimento emocional como defesa em relação ao sofrimento inevitável que uma relação entre duas pessoas tráz.

Desencontro-me de mim própria – há algo mais aborrecido do que o despeito? Há, para os outros, algo mais terrivelmente aborrecido do que um coração partido?

Sei quem sou. Sei que muita gente gostava de ter uma namorada como eu.

Sei.

Sei também que podia ter encontrado caminhos mais sábios, mais tolerantes, ser eu própria menos ajuizadora. Além disso, o meu passado pesa no meu presente e conduz-me em trilhos sempre repetidos. Tenho que quebrar esses ciclos gerados pela sensação de abandono, de traição e que penalizam quem vem de novo.

Eu não queria me entregar mas nem sempre a nossa mente manda e ainda bem que assim é, há linguagens que a razão não domina. Há experiências que nos marcam, que ficam na nossa memória e a deixam replecta de endorfinas do prazer, de plenitude.

Só que, como tudo na vida, nem sempre a confluência é perfeita e dou comigo a querer uma coisa e a cometer actos que conduzem ao contrário, dou comigo a dizer algo que a outra pessoa  entende do avesso. Enfim, como me aborrecem os blogs de nós, mulheres que amam mulheres, sempre a falar dos desencontros, da falta que “a outra” nos faz, bla, bla, bla.

Fico por aqui. Mas não fico por aqui na procura desse encontro de almas.

Eu sei que tudo passará, não é isso que me preocupa. Só me preocupam as marcas e os “vícios” que as experiências vão deixando, indelevelmente, na minha maneira de agir, afastando-me do AMOR. Não vou deixar, prefiro sentir as vísceras em brasa, a cabeça num turbilhão, do que passar ao lado do sentir, da tentativa de encontrar. Afinal o encontro com a Luz não é O sublime e derradeiro encontro com o AMOR – a união serena do encontro de todas as almas unidas neste grande campo quântico?

E nesse sentido, não estamos nós programados para, enquanto aqui estamos à espera, tentar encontrar a nossa luz?

Espero eu😦


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