Assunto: Sobre os gestores e o esquema da pirâmide.
Afinal, este malfadado esquema que tanto nos tem surpreendido, é tão antigo quanto a civilização humana, porque vai a par com a ganância.
Em Portugal, fomos surpreendidos, há muitos anos, com a Dona Branca. Também, mais recentemente, veio a público o esquema dos “selos”, através da empresa Afinsa.
Agora, o ex-Presidente da Nasdaq, um dos índices bolsistas que gere as vidas dos fanáticos do grande casino onde se jogam as nossas vidas e as economias dos Estados, Bernard Madoff, provocou uma avalanche de pirâmides, com consequências pelo mundo fora. A razão é simples: neste mundo onde a globalização tomou terreno, tudo se encontra interligado e como já pudemos constatar, pelas piores razões: não só no campo financeiro mas também no que diz respeito a questões ambientais com consequências graves, ou na propagação de grandes epidemias. Este é um assunto sobre o qual me pronunciarei a seu tempo.
Madoff pagava o retorno dos investimentos com o dinheiro aplicado pelos clientes novos. O rendimento máximo dos investimentos só era, efectivamente, realizado aquando do resgate dos depósitos. Quando a crise eclodiu e com o inevitável pânico dos depositantes, Maddoff viu-se sem capital para fazer face a esses saques súbitos e numerosos.
Esta quantidade de dinheiro a circular, assente em activos não divulgados e, provavelmente inexistentes (parece que nada interessa senão o rendimento sobre o investimento realizado) leva a que seja quase impossível rastrear o dinheiro nesta economia global, já apelidada de “grande casino”.
Assim, e como se de um dominó gigantesco se tratasse, atrás deste caso, têm aparecido, sucessivamente, outros. Este esquema foi, durante demasiado tempo, a arma secreta que muitos brandiram para se intitularem como profissionais de gabarito, “gestores” de sucesso. Estes gestores de fundos e a forma como esta economia especulativa se organiza, lembram pragas de gafanhotos: onde chegam, comem tudo deixando, atrás de si, um rasto desastroso, prosseguindo na sua senda de destruição de colheita em colheita até á aniquilação total.
Para o pequeno aforrador, indiferente aos meandros da especulação financeira, não é perceptível o uso que estes “gafanhotos” da gestão fazem do seu dinheiro, aplicado em depósitos a prazo ou investimentos de risco. Em última análise, estes pequenos investimentos, podem contribuir para situações de desemprego destes mesmos pequenos aforradores por força de malabarismos financeiros ruinosos.
É fácil imaginar o cenário através do qual, um gestor de fundos sob a capa de anonimato muito conveniente, se apodera das acções de uma empresa visando a obtenção do máximo de rendimento no mais curto espaço de tempo. Sabe-se que a massa salarial representa um custo fixo muito elevado e, a maior parte das vezes, incomportável perante cenários de deslocalização mais apelativos, onde se pode ir “pescar” mão-de-obra mais barata ou exigências ambientais menos zelosas. Assim, recorre-se ao despedimento. Deste modo, quem depositou as suas poupanças, talvez na perspectiva de melhorar um pouco os seus parcos rendimentos, vê-se vítima da sua própria ambição, sem se aperceber do processo que, em parte, despoletou.
Este é o mundo que construímos. Em termos de gestão empresarial, é forçoso passar a equacionar as consequências de pautar os objectivos empresariais, com base em processos de “benchmarking”.
Na verdade e escondidos com um “rabo que começa a ficar de fora”, é aqui que residem as estratégias de mercado que estão no cerne da destruição do modelo social europeu.